A construção coletiva rumo à 2ª Marcha Nacional de Mulheres Negras no Brasil
Por Revista Afirmativa / Andressa Franco e Elizabeth Souza
21 de março de 2024
Rosália Lemos
De acordo com dados do Anuário de Segurança Pública de 2023, foram notificados 74.930 casos de estupros no Brasil em 2022, o maior número já registrado na história do país. 88,7% das vítimas são do sexo feminino e 56,8% são negras.
As mulheres negras no Brasil cobram justiça social e erguem a voz contra os altos índices de violência que as acometem, a exemplo da violência sexual. No dia 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, elas vão às ruas com suas reivindicações e com a convocação oficial da segunda Marcha Nacional das Mulheres Negras, que está prevista para acontecer em novembro de 2025.
Al cumplirse 10 años de la primera marcha, la segunda reflejará un período de esperanza, dice Rosália Lemos, coordinadora general de la Red de Mujeres Negras de Río de Janeiro, socia beneficiaria de VidaAfrolatina. “Las esperanzas deben transformarse en políticas públicas concretas y esta es una demanda que debemos llevar a la Segunda Marcha Nacional. Es necesario crear grupos de trabajo que monitoreen la creación e implementación de estas políticas. No sirve marchar sólo para denunciar”
Marcando 10 anos da primeira edição, a segunda marcha reflete um período de esperança, como explica a brasileira da cidade da Baixada Fluminense (RJ), Rosália Lemos, coordenadora geral da Rede de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, organização apoiada pelo VidaAfrolatina Fund. “As esperanças têm que se transformar em ações de políticas públicas concretas e essa é uma reivindicação que precisamos levar para a 2ª Marcha Nacional. É necessário criar grupos de trabalho que acompanhem a criação e implementação dessas políticas no país. Não dá para marchar apenas para denunciar”
“A marcha do próximo ano reinaugura outro estágio da luta de mulheres negras contra a violência e pelo Bem Viver”, avalia a brasileira da cidade de Salvador (BA) Valdecir Nascimento, fundadora do Odara — Instituto da Mulher Negra. Hoje, lideram a construção da marcha a Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), a Rede de Mulheres Negras do Nordeste, a Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira e o Fórum Nacional de Mulheres Negras.
No dia 18 de novembro de 2015, cerca de 100 mil mulheres negras tomaram as ruas da capital brasileira marchando contra o “Racismo, a Violência e pelo Bem Viver”. O intuito é que em 2025 esse número seja superado, e que 1 milhão de mulheres participem da 2ª edição.
Também é esperado para esse momento um maior estreitamento de laços com mulheres negras de outros países da América Latina, no intuito de fortalecer o movimento de mulheres negras na diáspora. “Lélia Gonzalez já mencionava essa importância na década de 1980, é preciso tecer laços com as mulheres afrolatinas”, opina Rosália, que enxerga na diferença de idiomas uma problemática que precisa ser solucionada. “Enquanto a gente tiver a barreira da linguagem, vai ser difícil promover ações integradas”.
Entre os principais impactos da primeira Marcha, é possível citar o crescimento de organizações de mulheres negras em todas as regiões do país, além do fortalecimento das mais antigas.
Para a 2ª edição, espera-se a consolidação e ampliação de debates em torno do conceito de reparação por séculos de violações de direitos contra a população negra, e o fortalecimento em torno das agendas e estratégias por modelos de reparação que se apliquem à realidade do contexto brasileiro.
Ao longo de março de 2024, conhecida como Março de Lutas, uma agenda coletiva com 135 atividades do movimento de mulheres negras no Brasil, vem acontecendo de norte a sul do país. O Março de Lutas deste ano tem como tema “Rumo a Marcha das Mulheres Negras 2025”, e vem servindo como plataforma de preparação para a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras.
Uma das atividades que integra a agenda está sendo encabeçada pela Rede de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, que neste 21 de março realiza uma exposição fotográfica chamada “Memórias da I Marcha das Mulheres Negras (2015)”, que vai acontecer na cidade de Nilópolis (RJ). O intuito é promover um resgate histórico que busca fortalecer a capacitação e a caminhada da juventude no presente.
“Ao colocar as fotos com as legendas a gente está trazendo para jovens uma possibilidade de viver aquele momento que aconteceu no passado. Esse é o compromisso das gerações antigas: trazer o passado para partilhar vivências”, finalizou Rosália.
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Por Andressa Franco
Repórter da Universidade Federal da Bahia para a Revista Afirmativa.
Por Elizabeth Souza
Jornalista na Rede de Mulheres Negras do Nordeste & Revista Afirmativa
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